Por Claudia Bittencourt
Depois de um show considerado
épico na última sexta-feira, em São Paulo, o Foo Fighters seguiu sua turnê Sonic Highways no Rio de Janeiro. A
banda se apresentou no domingo, no estádio do Maracanã.
Foram 22 músicas, entre os clássicos
de cada um dos oito álbuns da banda, como “Everlong”
e “Best of You”, passando por covers
de Rush, Queen e Kiss.
O show começou com “Something from nothing”, primeira faixa
do álbum que dá nome à turnê. Desde o início, deu para perceber a liberdade que
eles tiveram de mudar o ritmo das músicas, brincando de torná-las mais lentas e
em seguida ir com força total, com direito a guturais. As guitarras, o vocal e
a bateria foram os condutores do show. A segunda música, “The Pretender”, mostrou Dave e sua guitarra nervosa, que combinava
lindamente com as luzes azuis do palco.
Dave Grohl, Pat Smear, Chris
Shiflett e Taylor Hawkins
deram uma verdadeira aula de como se faz rock n’roll, experiência adquirida
depois de 20 anos de estrada. Um espetáculo grandioso e intimista, conduzido
pela simpatia e vitalidade de Dave. “It’s
fucking hot tonight, come on! It´s not hot enough!!”, disse o vocalista em
vários momentos.
A presença de palco de Dave é
admirável e ele parece estar realmente se divertindo durante o show, lançando
olhares expressivos como quem conversa com o público – e fez isso muitas vezes.
A interação foi constante e o vocalista chegou a pedir para ligarem as luzes das
laterais do palco para que ele pudesse ver melhor o público. Dave afirmou
várias vezes que os fãs do Brasil eram especiais, e esse carinho era nítido.
Uma pequena passarela ligava os
dois palcos do show. O segundo, que ficava mais adiante, garantiu que as pessoas
que estivessem mais longe também pudessem sentir a mesma energia da plateia do
palco principal, além de enxergarem melhor, claro. “O pessoal da frente teve
sorte a noite toda, mas agora eu toco pra vocês!”.
Depois da contagiante “My Hero”, Dave perguntou ao público quem
nunca tinha ido a um show do Foo Fighters antes. Surpreso com a quantidade de
mãos levantadas, o vocalista disse “que bom que vocês esperaram, porque hoje
vamos tocar todas as músicas que pudermos, até que nos expulsem do palco!”. Então,
Dave dedicou a música seguinte aos fãs da banda, especialmente aqueles que
nunca tinham ido ao nenhum show. Foi então que a capela de “Big Me” começou.
“Walk” foi uma das músicas mais emocionantes do espetáculo. Daquelas
de arrepiar. O Foo Fighters tem uma receita que é capaz de deixar os fãs tocados
e fazê-los bater cabeça e dançar ao mesmo tempo, é incrível.
Dave apresentou a banda de forma
peculiar: pedindo para que cada um tocasse um pouco de seu instrumento. Ele
brincou que todos os membros do Foo Fighters esquecem as músicas eventualmente,
mas que havia uma pessoa que sabia “every
fucking song”: o baterista Taylor Hawkins. Ele e Dave trocaram
declarações de amor, inclusive. “Ele me ama, e ele é todo meu!”, brincou
Dave. Na hora do seu solo, o vocalista
tocou um pouco de “Black Bird”, dos
Beatles.
Dave comandou as luzes do
Maracanã mais uma vez durante “Monkey Wrench”.
Dessa vez, o estádio ficou totalmente no escuro, sendo iluminado apenas pelos
celulares dos fãs. No silêncio e no escuro, a música volta.
“Skin and bones” e “Wheels” foram
tocadas em capela no segundo palco, foi quando surgiu a promessa de que a banda
voltaria ao Brasil. “Se vocês cantarem bem alto, o Foo Fighters vai voltar a
tocar aqui!”.
E foi na arrepiante “Times Like These” que a banda se juntou
a Dave novamente, quando tivemos uma deliciosa surpresa: o palco girava!
Os covers escolhidos foram
reflexo das influências da banda. “Coisas que crescemos ouvindo, por isso
decidimos tocar”. Eles tocaram “Detroit
Rock City”, do Kiss; “Tom Sawyer”,
do Rush; “Stay With Me”, do The Faces
e o clássico dos clássicos “Under Pressure”,
do Queen, dedicada aos fãs.
A vigésima música do show que
comemora os 20 anos de carreira da banda foi a dançante “All My Life”. Digo ‘dançante’ porque não é toda banda que
te faz levantar do sofá para pular, gritar e bater cabeça num domingo à noite
de sobriedade. Se eu estava assim, imagine quem estava no estádio?
A empolgação seguiu com “Best of You”, um dos grandes hits da
banda, que brinca com os arranjos das músicas durante todo o show.
A última música foi “Everlong”, do disco The Colour and the Shape. “Vocês são uma
linda audiência! Obrigado por hoje, nós voltaremos logo!”, disse Dave ao se
despedir.
Foram mais de três horas de show,
que começou quase que pontualmente às 9h e terminou pra lá da meia-noite. Mas
eu ficaria mais três horas assistindo, por mim eles poderiam tocar a
discografia inteira! Agora só nos resta esperar que eles cumpram a promessa de voltar
em breve.
Confira o Setlist:
- Something From Nothing
- The Pretender
- Learn to Fly
- Breakout
- My Hero
- Big Me
-Congregation
- Walk
- Colday In The Sun
- In The Clear
- This Is A Call
- Monkey Wrench
- Skin And Bones
- Wheels
- Times Like These
- Detroit Rock City – cover do
Kiss
- Tom Sawyer – cover do Rush
- Stay With Me - cover do The Faces
- Under Pressure - cover do Queen
- All My Life
- Best Of You
- Everlong
