segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

RIO - Foo Fighters dá uma verdadeira aula de como fazer rock n´roll

Por Claudia Bittencourt

Depois de um show considerado épico na última sexta-feira, em São Paulo, o Foo Fighters seguiu sua turnê Sonic Highways no Rio de Janeiro. A banda se apresentou no domingo, no estádio do Maracanã.

Foram 22 músicas, entre os clássicos de cada um dos oito álbuns da banda, como “Everlong” e “Best of You”, passando por covers de Rush, Queen e Kiss.

O show começou com “Something from nothing”, primeira faixa do álbum que dá nome à turnê. Desde o início, deu para perceber a liberdade que eles tiveram de mudar o ritmo das músicas, brincando de torná-las mais lentas e em seguida ir com força total, com direito a guturais. As guitarras, o vocal e a bateria foram os condutores do show. A segunda música, “The Pretender”, mostrou Dave e sua guitarra nervosa, que combinava lindamente com as luzes azuis do palco.



Dave Grohl, Pat Smear, Chris Shiflett e Taylor Hawkins deram uma verdadeira aula de como se faz rock n’roll, experiência adquirida depois de 20 anos de estrada. Um espetáculo grandioso e intimista, conduzido pela simpatia e vitalidade de Dave. “It’s fucking hot tonight, come on! It´s not hot enough!!”, disse o vocalista em vários momentos.

A presença de palco de Dave é admirável e ele parece estar realmente se divertindo durante o show, lançando olhares expressivos como quem conversa com o público – e fez isso muitas vezes. A interação foi constante e o vocalista chegou a pedir para ligarem as luzes das laterais do palco para que ele pudesse ver melhor o público. Dave afirmou várias vezes que os fãs do Brasil eram especiais, e esse carinho era nítido.

Uma pequena passarela ligava os dois palcos do show. O segundo, que ficava mais adiante, garantiu que as pessoas que estivessem mais longe também pudessem sentir a mesma energia da plateia do palco principal, além de enxergarem melhor, claro. “O pessoal da frente teve sorte a noite toda, mas agora eu toco pra vocês!”.

Depois da contagiante “My Hero”, Dave perguntou ao público quem nunca tinha ido a um show do Foo Fighters antes. Surpreso com a quantidade de mãos levantadas, o vocalista disse “que bom que vocês esperaram, porque hoje vamos tocar todas as músicas que pudermos, até que nos expulsem do palco!”. Então, Dave dedicou a música seguinte aos fãs da banda, especialmente aqueles que nunca tinham ido ao nenhum show. Foi então que a capela de “Big Me” começou.

“Walk” foi uma das músicas mais emocionantes do espetáculo. Daquelas de arrepiar. O Foo Fighters tem uma receita que é capaz de deixar os fãs tocados e fazê-los bater cabeça e dançar ao mesmo tempo, é incrível.

Dave apresentou a banda de forma peculiar: pedindo para que cada um tocasse um pouco de seu instrumento. Ele brincou que todos os membros do Foo Fighters esquecem as músicas eventualmente, mas que havia uma pessoa que sabia “every fucking song”: o baterista Taylor Hawkins. Ele e Dave trocaram declarações de amor, inclusive. “Ele me ama, e ele é todo meu!”, brincou Dave.  Na hora do seu solo, o vocalista tocou um pouco de “Black Bird”, dos Beatles.

Dave comandou as luzes do Maracanã mais uma vez durante “Monkey Wrench”. Dessa vez, o estádio ficou totalmente no escuro, sendo iluminado apenas pelos celulares dos fãs. No silêncio e no escuro, a música volta.

“Skin and bones” e “Wheels” foram tocadas em capela no segundo palco, foi quando surgiu a promessa de que a banda voltaria ao Brasil. “Se vocês cantarem bem alto, o Foo Fighters vai voltar a tocar aqui!”.

E foi na arrepiante “Times Like These” que a banda se juntou a Dave novamente, quando tivemos uma deliciosa surpresa: o palco girava!

Os covers escolhidos foram reflexo das influências da banda. “Coisas que crescemos ouvindo, por isso decidimos tocar”. Eles tocaram “Detroit Rock City”, do Kiss; “Tom Sawyer”, do Rush; “Stay With Me”, do The Faces e o clássico dos clássicos “Under Pressure”, do Queen, dedicada aos fãs.
A vigésima música do show que comemora os 20 anos de carreira da banda foi a dançante “All My Life”. Digo ‘dançante’ porque não é toda banda que te faz levantar do sofá para pular, gritar e bater cabeça num domingo à noite de sobriedade. Se eu estava assim, imagine quem estava no estádio?
A empolgação seguiu com “Best of You”, um dos grandes hits da banda, que brinca com os arranjos das músicas durante todo o show.

A última música foi “Everlong”, do disco The Colour and the Shape. “Vocês são uma linda audiência! Obrigado por hoje, nós voltaremos logo!”, disse Dave ao se despedir.

Foram mais de três horas de show, que começou quase que pontualmente às 9h e terminou pra lá da meia-noite. Mas eu ficaria mais três horas assistindo, por mim eles poderiam tocar a discografia inteira! Agora só nos resta esperar que eles cumpram a promessa de voltar em breve.

Confira o Setlist:
- Something From Nothing
- The Pretender
- Learn to Fly
- Breakout
- My Hero
- Big Me
-Congregation
- Walk
- Colday In The Sun
- In The Clear
- This Is A Call
- Monkey Wrench
- Skin And Bones
- Wheels
- Times Like These
- Detroit Rock City – cover do Kiss
- Tom Sawyer – cover do Rush
- Stay With Me - cover do The Faces
- Under Pressure - cover do Queen
- All My Life
- Best Of You
- Everlong


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